Avaliação e Intervenção Psicológica em Crianças e Adolescentes

Avaliação e Intervenção Psicológica em Crianças e Adolescentes

Escrito por: Sara Martins

 

No Psiquilibrios recebemos pais que manifestam preocupação com determinados comportamentos, atitudes e características dos seus filhos.

Do mesmo modo, é frequente a dúvida sobre a necessidade e/ou pertinência do acompanhamento psicológico para os filhos e sobre como este se processa – Será que o meu filho precisa mesmo da ajuda de um psicólogo? Como funcionam as consultas?

À semelhança dos processos com adultos, o processo de avaliação e intervenção psicológica com crianças e adolescentes não se realiza apenas quando estes apresentam alguma psicopatologia, como ansiedade e depressão. É comum na infância o recurso ao psicólogo por questões de comportamento, problemas ao nível da regulação do sono, dificuldades alimentares, adaptação a novos contextos, como a pré-escola, por exemplo, medos e até socialização. Nos adolescentes são também comuns as dificuldades ao nível das relações interpessoais, sintomas de ansiedade, sintomas depressivos, dúvidas sobre o futuro, dificuldades de relacionamento com os pais, desajustamento social, sexualidade, entre outras.

Há dificuldades e comportamentos que podem ser considerados típicos ou esperados em determinadas fases desenvolvimentais (por exemplo, todas as crianças de 3 anos fazem birras). No entanto, se os pais encontrarem dificuldades na gestão desses comportamentos, se verificarem que a sua manutenção pode estar a revelar-se prejudicial para as crianças/adolescentes ou até para a família, se os educadores ou professores alertarem para determinados sinais comportamentais ou emocionais nos seus alunos, então, deve ser ponderado o recurso a um psicólogo. É esperado deste técnico o apoio aos pais na compreensão das dificuldades dos filhos e algum enquadramento teórico sobre o que é esperado das crianças/adolescentes de acordo com os períodos desenvolvimentais e/ou com determinadas condições que apresente.

 

Em que consiste o acompanhamento psicológico das crianças e adolescentes e como se processa?

No contexto do processo terapêutico é possível distinguir duas fases – a avaliação e a intervenção – que compreendem dois processos indissociáveis e complementares. Com a avaliação psicológica pretende-se conhecer, identificar e compreender as problemáticas que os clientes apresentam. Este processo, com recurso a diferentes instrumentos, permite estudar personalidades, competências e características de funcionamento.

A intervenção psicológica visa, com o recurso a abordagens teóricas previamente estudadas e testadas, auxiliar os clientes no desenvolvimento de ferramentas e estratégias que lhe permitam a resolução das dificuldades ou a diminuição do impacto de determinadas condições nas suas vidas.

No âmbito da avaliação e intervenção psicológicas com crianças e adolescentes é fundamental considerar as particularidades desta população. Neste sentido, é essencial o psicólogo ter conhecimentos avançados ao nível da psicologia do desenvolvimento, uma vez que, dependendo da idade, há dificuldades e comportamentos que podem ser considerados esperados ou desajustados.

Nestes processos, as crianças e adolescentes não são os únicos intervenientes. É necessária a colaboração ativa dos pais ou responsáveis legais. A participação destes elementos deve-se à necessidade de obter uma perspetiva mais global e externa às dificuldades das crianças/adolescentes, bem como ao facto de que com a sua colaboração torna-se mais fácil reduzir a influência do problema na vida da família. Dependendo da problemática em causa, os pais podem funcionar como facilitadores e promotores das mudanças que se pretendem desenvolver. É frequente desenvolver-se processos de intervenção psicológica em que se trabalha simultaneamente com os pais e os filhos.

Quando se tratam de dificuldades de crianças mais novas, a intervenção poderá envolver apenas os pais/responsáveis. O papel mais ou menos ativo de cada um dos intervenientes irá depender da idade do cliente e da questão a ser trabalhada no âmbito do processo terapêutico.

A perspetiva que as crianças/adolescentes apresentam sobre as suas próprias dificuldades pode ser diferenciada do que é apresentado e considerado pelos progenitores, algo bastante comum quando se trabalha com adolescentes. Deste modo, a adequada avaliação de uma criança ou adolescente deve envolver uma entrevista aos pais/responsáveis legais e uma entrevista à criança/adolescente. O conjunto de dados recolhidos deve ser atendido e considerado na compreensão global da criança/adolescente. Pode também ser necessário o recurso a outros elementos externos à família, como por exemplo, o contexto educativo, através dos educadores e professores.

Importa salientar que, à semelhança dos processos com adultos, também no caso das crianças e adolescentes é fundamental a qualidade da relação terapêutica que se estabelece, desempenhando aqui um papel crucial o sigilo profissional. A criança/adolescente deve considerar o psicólogo alguém merecedor da sua confiança, com respeito pelas suas opiniões e vivências. A informação que os técnicos transmitem aos pais deve respeitar os limites da confidencialidade e os interesses da criança.

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