Envelhecimento Ativo: a conquista de uma experiência positiva

Envelhecimento Ativo: a conquista de uma experiência positiva

De Óscar Ribeiro*

Existem formas distintas de envelhecer. Os comportamentos, os afetos, as amizades, os contextos de vida e o tempo socioeconómico e histórico que experienciamos são fatores que, mediados por significados e valores, contribuem para um envelhecimento mais ou menos equilibrado.

O processo de envelhecimento é uma trajetória singular, que se constrói ao longo da vida e que pode ser mais ou menos positiva, onde cada pessoa decide e opta, entre diversas escolhas, por atitudes e comportamentos mais ou menos saudáveis, cujos resultados se vão manifestando no seu bem-estar físico e psicológico. Na heterogeneidade deste processo, será que podemos traçar fronteiras inequívocas entre a adaptação e o desajustamento aos desafios associados ao envelhecer? Será que podemos descortinar caminhos de comportamentos adequados e resultados positivos? Ou resta-nos a passividade da fortuna de envelhecer bem ou do infortúnio da dependência e da incapacidade, progressiva e inexorável? A resposta a estas questões tem vindo a ser trabalhada em diferentes áreas científicas, ora na busca do elixir da longa vida da medicina anti-envelhecimento, ora em ensaios mais prosaicos da área social, que elegem os amigos ou as atitudes como resposta mais eficaz.

A OMS avançou, em 2002, com o conceito de Envelhecimento Ativo, que surge na sequência do envelhecimento saudável preconizado até então, e que pretende ser mais abrangente, estendendo-se, para além da saúde, a aspetos socioeconómicos, psicológicos e ambientais, integrados num modelo multidimensional que explica os resultados do envelhecimento.

Este novo paradigma surge como sendo mais consensual, no sentido em que preconiza a qualidade de vida e a saúde dos mais velhos, com manutenção da autonomia física, psicológica e social, em que os idosos estejam integrados em sociedades seguras e em que assumam uma cidadania plena. Além disso, o conceito de “ativo” é remetido para uma participação e envolvimento nas várias questões sociais, culturais, económicas, civis e espirituais, e não apenas à capacidade de estar fisicamente ativo. Esta nova forma de entender e perspetivar o envelhecimento enfatiza a importância de as pessoas perceberem o seu potencial para a promoção do seu bem-estar e, sobretudo, da sua qualidade de vida.

De um modo geral, importa que o envelhecimento individual expresse a conquista de uma experiência positiva, uma vida longa acompanhada de oportunidades contínuas de saúde, envolvimento social, aprendizagem e segurança. Não estando circunscrito à capacidade de fazer parte da força de trabalho tendencialmente subscritas pelas discussões em torno da idade da reforma, devemos considerar leituras mais amplas que permitam reconhecer o envolvimento ajustado com as dimensões sociais, culturais, espirituais e civis tidas como significativas para cada um de nós.

 

*Óscar Ribeiro é Psicólogo, doutorado em Ciências Biomédicas. Colabora há vários anos com o Psiquilibrios Edições na avaliação psicológica e psicoterapia com adultos, idosos e casais. É autor, entre outras obras, do Manual de Envelhecimento Ativo.

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